Interpretações do Termo Home Care

A própria tradução do termo Home Care já sofreu inúmeros assaltos, como por exemplo, as traduções errôneas para tratamento em casa, internamento domiciliar, cuidados em casa, cuidados na residência, tratamento residencial e daí por diante.

A realidade é que a tradução literal do termo home care nos mostra que a palavra inglesa home quer dizer lar e a palavra care, cuidados; então se concluiu que, as duas palavras combinadas quer dizer cuidados no lar, e não esta miríade de terminologia não fidedigna.

Quando a terminologia em inglês chegou ao Brasil, há mais de três décadas, importada pelos pioneiros da implantação dos serviços, encontrou uma resistência enorme para a sua utilização. Resistência esta atrelada a um senso de nacionalismo e protecionismo lingüístico comum daqueles períodos. Por muitos anos, pronunciar o termo home care era quase proibitivo, um sinal de sucumbência ao americanismo, às influências culturais dos colonialistas do norte. Porém, com o passar do tempo, face à persistência e frequência com a qual a terminologia era utilizada, sua adoção foi inevitável.

Contudo, mesmo com a utilização da terminologia americana, trégua não foi dada ao setor, e as mentes criativas não pouparam esforços para encontrar uma tradução considerada viável, mais nacionalista, então surgiram terminologias como: Atenção Domiciliar à saúde, atenção domiciliar de saúde, assistência domiciliar de saúde, assistência domiciliar à saúde, internação domiciliar de saúde, cuidados domiciliares à saúde, cuidados domiciliares de saúde, atenção domiciliária à saúde, atenção domiciliária de saúde, cuidados domiciliário de saúde, cuidados domiciliários à saúde, e centenas de outras denominações  que são utilizadas diariamente no território brasileiro para comunicar a simples idéia de “cuidados no lar”.

Em 19 de setembro de1990, o ministério da saúde publicou a Lei No 8.080 e nela se teve o primeiro indício de como o Home care seria oficialmente chamado no Brasil em seu Art. 19-I, expõe, “São estabelecidos, no âmbito do Sistema Único de Saúde, o atendimento domiciliar e a internação domiciliar. (Incluído pela Lei nº 10.424, de 2002)”. A partir desta publicação o home care se tornaria Atendimento domiciliar e internação domiciliar. Em 1999, a decisão COREN-SP-DIR/006/1999 resolveu personalizar o termo e lançou em sua decisão, a terminologia “Atendimento de Enfermagem Domiciliar – Home Care”. A partir daquele momento, o home care já não era mais tão somente atendimento e ou internação domiciliar, porém atendimento de enfermagem domiciliar. Em 2001, a Resolução COFEN nº 267/2001 “Enfermagem em domicílio-Home Care”. Em abril de 2002 a Resolução COFEN Nº 270/2002, refere-se ao home care como “Serviços de Enfermagem Domiciliar – Home Care”, Em 12 de novembro de 2002, em sua Resolução de nº 386, O Conselho Federal de Farmácia refere-se ao home care como “assistência domiciliar”., em 26 de janeiro de 2006 a ANVISA RDC Nº11,refere-se ao home care como “Atenção Domiciliar”.   Considerando que a terminologia oficial apresentada, ou seja, atenção, internamento, atendimento, internação sequer explicita que tipo de serviço, o qual poderia ser atenção odontológica, advocatícia, etc., resta-nos analisar a terminologia original (home care) em busca de algum sentido prático:

Home care é um termo amplo que descreve uma grande variedade de serviços relacionados com a saúde e que são executados em um ambiente residencial.

Porém, no Brasil, observam-se o termo home care sendo utilizado por advogados, encanadores, dentistas, veterinários, sapateiros e outros.

O termo home care deveria ser utilizado apenas para referir-se a um serviço  de saúde que conta com um trabalho multi e inter disciplinar. O home care é disponível às pessoas de todas as idades, tenham elas condições agudas ou crônicas, sejam elas pessoas com deficiências físicas ou não, e também, aos pacientes com condições terminais.

A equipe de uma empresa de home care trabalha com o paciente e sua família na educação a respeito de suas condições e ou patologias, e na capacitação dos mesmos a respeito das tarefas necessárias para cuidarem do paciente com segurança no ambiente do lar, e até mesmo chegar a um nível maior de independência.

O termo home care, no Brasil, como foi exposto anteriormente, muitas vezes foi, e continua a ser confundido com o termo Home Health Care, que quer dizer cuidados de saúde no lar. A grande diferença é que, os serviços de home health care necessitam de uma prescrição médica, e devem ser prescrito pelo médico responsável somente se houver a necessidade médica para tal serviço.

Suponho que, o fato de que os nossos pioneiros tenham deixado a palavra “Health” que quer dizer saúde, fora do termo Home Care, tenha contribuído para as tentativas de tradução direta do termo, sem a qualificação que se poderia obter utilizando o termo saúde, para compor o termo Home Health Care, que seria então traduzido como “Cuidados de Saúde no Lar”. Houvesse isso ocorrido, não depararíamo-nos com terminologia como Veterinário Home Care, Home Care Advocatício e assim por diante.

Diante das inúmeras, e conflitantes terminologias apresentadas pelos vários órgãos oficiais encarregados da regulação do setor no Brasil, resta-nos a opção de escolher entre as várias terminologias, e esperar que em nossa utilização dessa terminologia tão flexível, sejamos entendidos, isto é, que o que queremos dizer é simplesmente Home Health Care, ou Cuidados de Saúde no Lar.

No Portal Home care, o usuário poderá encontrar um glossário de termos que poderia ser utilizado de forma padronizada no Brasil, cooperando assim, para uma clareza melhor na comunicação no setor.

Leia a terminologia sugerida no Portal, e adote-a em sua prática, logo, ela tornar-se á a terminologia oficial do setor no Brasil.

Edvaldo de Oliveira Leme, R.N.C.