Vantagens e Desvantagens para o Plano de Saúde

Vantagens

O home care foi introduzido no mercado brasileiro inicialmente, e quase que primariamente, como uma solução voltada à redução dos custos das fontes pagadoras; custos estes relacionados com o financiamento dos serviços de saúde prestados como benefícios aos seus usuários. Uma enorme campanha publicitária alimentou a promessa de reduções no custo de, pelo menos, afirmavam todos os empresários da área, 30% sobre aquilo que os planos de saúde estavam gastando com a manutenção de seus usuários enfermos nas instituições hospitalares; uma promessa atrativa para muitos gestores que se viam em face de uma escalada nos custos de produtos e serviços de saúde. O home care aparecia no horizonte como o cavaleiro no cavalo branco, espadas e armadura de titânio; o home care iria reduzir os custos! A promessa de redução de custo progrediu para tornar-se uma obrigação, a obrigação tornou-se uma regra, a regra tornou-se uma lei de sobrevivência. Os prestadores de serviços de home care que não possuem os meios para cumprir com esta promessa são eliminados por um processo de seleção quase natural. As empresas que não possuem o poder de compra, não conseguem adquirir os produtos com margens suficientes para manter uma operação sustentável, e padecem vítimas da cultura de preço estabelecida pelos antepassados. Hoje em dia, a Lei dos 30% de redução já se tornou uma proposta de principiantes, e o crescimento indiscriminado no número de empresas em regiões metropolitanas limitadas, fez com que a oferta fosse muito além da procura, resultando em uma guerra de preços entre prestadores de serviços de home care, que hoje beneficia a maioria dos planos de saúde com cortes de custo que chegam muitas vezes a 60% em relação ao preço de hospitalização. As muitas empresas de home care, na busca frenética por qualquer tipo de resultado, ou por alguma estratégia agressiva, imatura, ou maliciosa de mercado, findam por sucatear cada vez mais os custos, criando assim, cada vez mais, um desconto maior para as fontes pagadoras, muitas vezes, não obstante, em detrimento da qualidade. Hoje em dia, através de negociações equívocas e desequilibradas, os planos de saúde podem chegar a reduções consideráveis em seu custo. Além da redução no custo, para os planos de saúde, algumas empresas de home care que não seguem os protocolos inerentes ao setor, acabam por funcionar como a primeira etapa para uma retirada do paciente da dependência pelo sistema de serviços de saúde subsidiado pelo plano de saúde, também conhecida como “desmame”. Nestes casos, o paciente hospitalizado e de alto custo, é oferecido os serviços de home care, para em seguida ter todos os seus benefícios retirados, e seus cuidados, muitas vezes precocemente transferidos aos familiares. Uma vez transferidos, o custo relacionado com os cuidados do paciente são transferidos ao paciente e ou familiares. Este corte no custo é uma vantagem para o Plano de Saúde. Logicamente, que, o Plano de Saúde não tem a obrigação de manter os serviços de cuidados, uma vez que o paciente já não qualifique clinicamente para os serviços. E em regime de home care, esta distinção fica mais clara, e fácil de gerenciar. O plano de saúde tem um controle maior sobre o plano de tratamento do paciente em regime de home care, uma vez que pode utilizar-se de múltiplos mecanismos que garantem que seu prestador conformará com suas exigências. Também, um paciente em regime de home care não tem a mesma facilidade em obter acesso aos exames complementares, o que força os médicos em home care a contar mais com suas habilidades de observação e diagnósticas, resultando em um corte relacionado aos custos com estes exames; mais uma vantagem. Como pode ser observado, o home care, por uma razão ou outra representa um grande benéfico ao plano de saúde. Não obstante, os gestores de planos de saúde devem agir com empatia, e reconhecer que as empresas de home care necessitam operar dentro de margens de lucro seguras que as ajudem a manter-se como esta formidável fonte de gerenciamento de custo. O verbo sucatear, para o home care, é sinônimo de “quebrar” !

Desvantagens

  1. Por ter seus pacientes localizados em vários pontos geográficos da cidade, torna-se mais dificultoso a supervisão direta  dos serviços prestados, sendo que, a medida que o número de pacientes aumentam, menos contato físico direto o gestor do plano de saúde terá com seu usuário internado.
  2. Por não existir linguagem específica ao atendimento domiciliário à saúde, conformar com as exigências da ANS em relação ao TISS e TUSS torna-se um grande desafio.
  3. Enquanto a ANS exige que o Plano de Saúde obtenha um número de CNES dos prestadores de serviços em home care, o Próprio Ministério da Saúde não reconhece uma empresa de home care como estabelecimento de saúde e não libera um número do CMES; veja a  RDC Nº. 7 , de 2 de fevereiro de 2007.
  4. Existem poucos profissionais que realmente entendem sobre a natureza do home care e sua operacionalização, este fato obriga os planos de saúde a contarem com uma mão de obra, muitas vezes, desqualificada, e que, com frequência, devido aos seus erros de julgamento, criam riscos desnecessários para a operadora durante o processo de captação e cuidados de pacientes usuários em home care.
  5. Como negociações por pacotes são, unicamente aplicáveis ao modelo hospitalocêntrico devido à impossibilidade de padronização dos serviços de home care, os planos de saúde se vêem obrigados a forçarem negociações por pacotes que, na maioria das vezes, ou gera perdas para o plano de saúde ,ou para o prestador, criando assim, uma aura de desconfiança e ressentimento ente as partes. Ao contrário do ambiente hospitalar onde existem inúmeros procedimentos médico que podem, com facilidade serem padronizados e organizados em pacotes. Geralmente, o plano de saúde perde com os acordos por pacote.
  6. A natureza da atividade em home care faz com que a supervisão direta dos serviços prestados seja intermitente. Este fato gera certo grau de risco atrelado à má pratica das disciplinas envolvidas (fisioterapia, enfermagem, medicina etc.), criando um risco direto não só para as empresas prestadoras de serviços de home care, como também, para sua contratante; o plano de saúde.
  7. Um processo de captação quando feito de forma errada pelo plano e ou prestador, pode gerar ações judiciais que podem levar o plano a grandes prejuízos financeiros atrelados a liminares, e ou julgamentos favoráveis que levam o plano de saúde a terem que arcar com os cuidados do paciente de forma indefinida.
  8. O plano de saúde em home care é mais vulnerável aos efeitos deletérios acoplados aos erros médicos e de outros profissionais.
  9. Monitoramento dos recursos utilizados é mais difícil em home care.
  10. Certos prestadores de serviços de home care utilizam metodologias agressivas de busca e captação de pacientes, criando expectativas exorbitantes junto aos pacientes e familiares quanto ao direito ao home care, gerando assim muitos riscos para o plano de saúde.

Edvaldo de Oliveira Leme,R.N.C.